Quando a busca vira dívida/dúvida
- 19 de mar.
- 3 min de leitura

Me deparei com um post no Instagram muito interessante e que mexeu muito comigo. O título dizia " A verdade sobre a espiritualidade que a Indústria do bem-estar esconde."
O post fala sobre como o bem-estar virou mais um produto a ser adquirido através de retiros, cursos e vivências, além do esteriótipo das roupas brancas, de linho e muito kits para limpeza energética.
E mexeu comigo porque eu já acreditei nessa promessa, e talvez como uma confissão, resolvi escrever sobre essa experiência. Mas também como um alerta de um caminho vazio, todo maquiado de expansão manipuladora e de arrogância.
Em tempos de apocalipse (revelação), não é fácil encarar certas verdades e reconhecer certos padrões.
O mundo pós-pandêmico virou um campo de batalha do bem-estar, e sim, acredito que seja necessário buscarmos uma vida mais harmônica, saudável e equilibrada. Mas o que percebo é como isso virou uma neurose generalizada, com propostas absurdas camufladas em "terapias holísticas", que acabam apenas sendo mais um produto do mercado capitalista selvagem, cursos e mais cursos para aprender sobre a espiritualidade, conhecimento oculto, comportamentos falsos, que apenas camuflam meu ego e o complexo de superioridade que existe dentro de mim.
Nesse meio, somos tomados pela persona (aquela máscara social) "iluminada", que apenas vibra amor e luz e não mais possui sentimentos horríveis como raiva, inveja, tristeza. Temos que co-criar uma vida melhor, com "pensamentos positivos", esquecendo que somos seres duais e onde há excesso de positividade, pode ter certeza de que escondemos um monstro raivoso pronto para atacar em movimentos sorrateiros.
Sim, reconheço em mim esse lado que tentou fugir das dores, da tristeza e da raiva que senti inúmeras vezes e tentei me enganar tantas outras vezes, acreditando que a palavra de fora (de um mestre ou professor) iria "me salvar" e tudo ficaria bem, em breve eu teria as respostas que tanto buscava, alguma "força maior" iria me mostrar quem eu era, o que esperavam de mim, qual seria o meu propósito e faria tudo certinho para ter a honra de conquistar o "reino divino" após minha vida aqui na Terra, afinal, desde pequena foi essa a educação espiritual que me ensinaram. Não funcionou.
Procurei em diversas frentes, grupos e lugares respostas para minha crise existencial, tão natural do ser humano - quem sou? De onde vim? O que diabos vim fazer aqui? NADA!
E era tão frustrante perceber que parecia que só eu não sentia nada, olhava ao redor e todos estavam tendo "alguma experiência" e eu ali, fingindo que também sentia, mas na verdade eu só queria fazer parte, eu queria realmente acreditar que estava vendo algo, ouvindo algo, mas a verdade é que nada fazia sentido. A gente se engana muito nessa vida, criamos realidades para pertencer, para nos sentirmos amados.
Hoje, quase 15 anos nessa caminhada, tenho mais prudência com certos "pacotes milagrosos" ou técnicas de 3 meses para resolver seus traumas. Não funciona assim... não porque seja complexo, mas porque ampliar a consciência exige acolher todas as partes de quem somos (inclusive as mais sombrias).
Fugir dessa realidade é pagar caro (em todos os sentidos) com nossa própria existência.
Quero deixar claro: existem pessoas sérias, comprometidas com um trabalho profundo e verdadeiro. Não se trata de demonizar o campo. Todos precisam trabalhar, se sustentar, pagar seus boletos.
Mas existe uma diferença enorme entre um trabalho ético e a criação de dependência em pessoas fragilizadas. Esse é o alerta.
O Ano Novo Astrológico começa amanhã, 20/03/2026, o ano da Roda da Fortuna, Arcano X do Tarot, a roda que gira e vem mostrar o outro lado da moeda, outras facetas. Que tenhamos sabedoria e estejamos cientes de que muita coisa virá à superfície, seja no macro ou no micro.
Quanto mais conectados com nossa verdade, menos surpresas teremos e mais sustentação diante das adversidades que fazem parte e sempre farão da existência humana.
Com consciência,
Fernanda Priminini



Comentários