Os Arcanos em ação - A Casa de Deus
- há 3 dias
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Como tudo aquilo que foi erguido para nos proteger — estruturas moldadas pelo ego, sustentadas por desejos, ideais de perfeição e fantasias que um dia foram necessárias para que a criança ferida seguisse vivendo — chega um momento em que já não se sustentam mais.
Algo cede, como um estalo interno, uma rachadura quase imperceptível que, de repente, não pode mais ser ignorada e tudo começa a desmoronar.
E no lugar do que antes parecia sólido, resta um vazio estranho, cru, silencioso, difícil de nomear. É sentir o corpo sem apoio, o chão se desfazendo, o ar atravessando onde antes havia controle. É vertigem de não saber onde se apoiar dentro de si. Loucura!
Mas, aos poucos vamos respirando e percebendo que ao nos livrarmos de tamanha altura, ao cairmos na realidade da vida, tudo fica mais simples e aos poucos podemos resgatar o que é verdadeiro dentro de nós.
Cair do topo é o mesmo que se jogar no abismo, mergulhar nas profundezas de um vazio que parece não ter fim, é destronar o Rei e a Rainha que sustentavam um mundo que já não pulsava verdade, figuras que, por tanto tempo, governaram em nome da sobrevivência, do orgulho, do medo de ruir.
E mesmo quando tentam se agarrar, algo maior atravessa. Uma Força que não negocia com ilusões. Uma espécie de fogo que rasga o céu e toca aquilo que estava rígido demais para continuar vivo. Abrir o que foi fechado para suportar.
Liberam as criaturas de sua própria prisão, construída como um forte para se certificarem que ninguém os encontraria, mas essa Força está em TODO lugar e não podemos nos esconder da Consciência, ela TUDO VÊ E TUDO SENTE.
A queda confunde. Desorienta. Silencia.Mas também simplifica. Aos poucos, e sem pressa, algo mais verdadeiro começa a emergir. Não como certeza, mas como uma sensação mais próxima do que é real. E como é bom não ter certeza de nada, é libertador!
Finalmente, eu posso tocar o chão e, no lugar da queda, sentir raízes tomando seu espaço em mim.
Com amor,
Fernanda



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