Os Arcanos em ação 2: O Louco
- há 2 dias
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Há algum tempo tenho selecionado um Arcano do Tarot e deixado ele participar da minha rotina por um tempo, é uma forma de conexão e meditação com a imagem que reflete momentos em nossas vidas. (aprendi com uma excelente professora de Tarot - Anna Maria Costa Ribeiro).
O Louco está sendo minha companhia, ele fica ao lado do meu computador e todos os dias trocamos ideias. Ele ousa muitas vezes aparecer em meus sonhos, trazendo alguns aspectos que passam despercebidos durante a vigília. Compartilho com vocês essa experiência.
Um andarilho cheio de energia, imortal e, de certa forma, irresponsável, já que em seu mundo não há leis nem ordem, a não ser as próprias (não seria esse o inconsciente?).
Ele transita entre dois mundos: o presente e a terra não verbal da imaginação, habitada pelos personagens do Tarot que acessamos de vez em quando.
O Louco não tem morada fixa. Ele pertence ao movimento. Onde há vida acontecendo, ele está.
Sua presença incomoda, desperta em nós um receio de se perder em suas aventuras, seu corpo é uma bússola, e pode ser um dos motivos que seja um tanto ousado, ou talvez pelo nome, que facilmente associamos a alguém fora das normas, alguém que rompeu com o sistema, com a sociedade, com a família, e decidiu seguir o próprio instinto ou seria a própria Alma?
Mas o Louco não é apenas ruptura. Há nele uma estranha mistura de inocência e vertigem. Ele ri, às vezes, como quem não sente, ou como quem sente tudo de uma vez e não sabe nomear.
Ele não carrega mais do que a própria vida nas costas. No início da jornada, sua bagagem é vazia por falta de experiência e no final, “vazia” por escolha própria, por saber que o que realmente conta é somente a experiência, não há nada além disso.
Ele sabe que nada lhe pertence. Ainda assim, leva consigo algo essencial: o cajado, a intuição, e o instinto, representado pelo cachorro que, volta e meia, o puxa de volta, lembrando que há corpo, que há chão, que há vida pulsando mesmo quando tudo parece caótico.
Sua grande dificuldade é parar e observar, principalmente quando inicia uma nova jornada, ele tem pressa, tem urgência, tem fôlego. Ele não para e muitas vezes se coloca em situações de risco, difícil de sustentar, mas ao mesmo tempo, ele percebe que a pulsão só existe onde há perigo, onde podemos desejar e vivenciar.
E, talvez, seja esse o seu paradoxo: ele segue, atravessa, se lança… mas, de algum modo, sabe. Sabe onde permanecer, sabe a hora de partir, mesmo que não haja explicações, mesmo que o medo seja seu companheiro, pois ele confia no seu sentir.
Com amor,
Fernanda Priminini



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