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2026 - A Roda Gira

  • Foto do escritor: Fernanda Priminini
    Fernanda Priminini
  • 27 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura


Enquanto o mundo se distrai com imagens e performances, o trabalho real acontece em silêncio, longe dos palcos, onde poucos escolhem sustentar presença em vez de aparência.


E mais um ano do calendário gregoriano chega ao fim. 2025 foi, de fato, um ano marcado pela forte presença do Arcano IX — O Eremita. Um tempo que exigiu olhar para dentro, encarar profundezas e dores não conscientizadas, que já estavam ali, insistindo em ser vistas. Muitas vezes, por defesa ou resistência, fingimos que não eram importantes e seguimos nos distraindo com todo o entretenimento que a nossa era nos oferece.


Mas não nos enganemos: a conta chega. Seja de forma consciente ou inconsciente, através de crises de ansiedade, pânico, vícios ou excessos.


Em termos globais, também é possível reconhecer a atuação desse Arcano:

Recuos e retrações: muitos países se fechando, cortando gastos, adotando posturas mais duras. Menos promessas para o coletivo e mais contenção no geral.

Cansaço: uma sensação de esgotamento das grandes narrativas. Já não se acredita tanto em salvadores ou soluções mágicas. A palavra da vez tem sido sobreviver com um pouco mais de lucidez.

Busca por sentido: temas como saúde mental, espiritualidade e silêncio ganham espaço, muitas vezes não por escolha, mas por necessidade. Pausas, recolhimentos e isolamentos aparecem como resposta ao excesso.

Desconfiança da luz externa: líderes, sistemas e instituições já não oferecem a mesma sensação de direção. Cada um, de algum modo, precisa aprender a carregar a própria lanterna.


É perceptível como essa onda massificada de modismos vem nos afastando de nós mesmos, nos conduzindo a um foco cada vez maior em um “eu ideal” e cada vez mais distante do real, do acessível, do possível. Isso tem adoecido nossos corações, nossa ALMA, ao sustentar a crença de que apenas o externo importa, de que só o “verniz” social é reconhecido.

Talvez por isso o mundo se divida tanto em opostos: quando o centro interno não está habitado, qualquer extremo parece oferecer direção.


2025 foi um ano de transformações profundas, e sei que 2026 não será diferente. Ainda há muito por vir. Afinal, a Roda vai girar.


2026 — 2+0+2+6 = 10 - O Arcano correspondente é o X — A Roda da Fortuna. Para Jodorowsky, a Roda da Fortuna não fala de sorte no sentido comum. Ela fala de processo.


X- A Roda da Fortuna
X- A Roda da Fortuna

É o Arcano do movimento inevitável, daquilo que não pode mais permanecer estagnado.

Ela anuncia o encerramento de um ciclo e coloca a consciência diante do vazio que se abre. Velhas formas desmoronam, não por falha, mas por esgotamento. O término gera tensão, dor e desorientação, até que algo se reorganize por dentro. É desse atravessamento que nasce o gesto novo: uma consciência mais desperta, capaz de iniciar a partir do que foi vivido.

A vida se move mesmo quando o ego tenta segurar (e vai haver movimento de retenção, apego, controle, mas será em vão - não se iluda).


2026 promete ser marcado por um fluxo de movimento, fechamento de uma ERA (sim, em maiúsculo, tamanha sua importância) e início de algo novo, e claro, como tudo que vem para desafiar velhas estruturas, será marcado por conflitos externos e internos, questões globais e pessoais:

  • o mundo que vivemos é também um espelho do que temos dentro de nós.

  • “O que está em cima é como o que está embaixo.” Micro e macro conversam. Corpo e alma se refletem.

  • Há tempos de expansão e tempos de recolhimento. Quando lutamos contra o ritmo, adoecemos.

  • Aquilo que não é visto se repete. Aquilo que é integrado se transforma.

  • Toda criação exige tempo, silêncio e ação consciente.


"(...) é a tarefa de todos os seres humanos, que forcejam por alcançar a consciência, liberar as energias animais anteriormente presas na ronda instintual repetitiva." (Sallie Nichols - Jung e o Tarot)


A Roda simboliza o tempo psíquico, que não é linear. Ganhamos consciência em espirais, não em linhas retas. Por isso, certos temas retornam, não como castigo, mas como convite a uma nova posição interna (vamos ver se eu aprendi mesmo?).

Vivemos um tempo em que estruturas antes consideradas sólidas começam a falhar, pactos coletivos se fragilizam, recursos se retraem, e aquilo que sustentava os mais vulneráveis já não é garantido (infelizmente). No plano global, vemos cortes, retrações, escolhas difíceis; no plano íntimo, a sensação é semelhante: o chão se move, a segurança antiga não responde mais.

A Roda da Fortuna gira também no mundo. Prioridades mudam, alianças se desfazem, e somos confrontados com a pergunta que sempre retorna nos grandes ciclos da história: o que realmente sustenta a vida quando o excesso cai?


Ao reduzir 1 + 0 = 1, chegamos ao Mago - Arcano I - O início.

Quando a Roda gira, ele nasce. Sua mesa pode ficar um pouco bagunçada depois do movimento, mas é justamente assim que ele consegue discernir o que realmente importa em sua bancada.

Sua mesa já não é curiosidade pura; é a organização do que sobrou após o giro. Os objetos agora têm história. Cada ferramenta foi conquistada pela experiência, e não apenas guardada como um simples souvenir (não é sobre TER e sim sobre SER).

Traduzindo: crises, turbulências, rupturas e perdas podem tirar nosso chão, desmontar a falsa sensação de controle e revelar ideais que nunca se sustentaram. Mas do atravessamento emerge um ser humano mais real, mais verdadeiro e vulnerável (para quem busca autoconsciência, aos que não estão nessa busca, apenas mais camadas de arrogância, distanciamento e distrações materiais). As ações se tornam mais presentes; o agir perde a urgência e ganha coerência.

É nesse cenário que o Mago precisa nascer mais experiente. Não como alguém que acredita ter respostas para tudo, mas como alguém que aprende a agir com consciência dentro da escassez, com ética dentro da instabilidade, com presença dentro do caos. Quando o mundo já não garante, a pergunta se desloca: como cada um de nós escolhe estar e agir no que permanece?


Um Mago que sabe que a verdadeira magia não está em criar o novo a qualquer custo, mas em agir a partir do que permaneceu depois que tudo girou.



E assim, encerro minha análise a partir dos Arcanos do Tarot para 2026 .

Feliz 2026!!


Com amor,

Fernanda Priminini

 
 
 

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